Editorial

Espiritismo no Ambiente Profissional

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Reencarnação é lei universal. Não se trata de simples crença, pois acreditando ou não, o fato é que ela não deixará de existir por algumas pessoas não acreditarem. As vidas sucessivas permitem ao Espírito continuar em uma existência futura o que deixou pendente em uma anterior. É o instrumento perfeito tanto da Justiça quanto da Misericórdia Divinas, pois proporciona a todos os indivíduos ocasiões favoráveis ao aprendizado e ao trabalho, reparando atitudes infelizes e fortalecendo laços de amizade. A reencarnação é, praticamente, o perdão de Deus às nossas faltas, uma vez que o Pai, ao invés de condenar seus filhos por toda a eternidade, lhes proporciona condições de reparação através da prática do bem e do amor aos seus semelhantes. A pluralidade das existências corpóreas jamais deve ser interpretada como castigo ou punição, mas sim como processo educativo, pedagógico. Para alcançar o resultado desejado, que é o progresso espiritual das criaturas, é necessário que os envolvidos estejam próximos e vinculados de alguma maneira.

O lar é a escola por excelência para o Espírito; local onde o grupo familiar se estabelece, formado por entidades que normalmente possuem laços de existências pretéritas e que se encontram novamente no presente, a fim de apararem arestas no relacionamento e se burilarem moralmente. Todavia, torna-se imprescindível expandir nosso olhar para além das paredes do lar e do parentesco consanguíneo. Não obstante existir várias esferas de atuação do Espírito que visam sempre seu aperfeiçoamento, uma delas merece atenção especial: o ambiente de trabalho.

Seria o local de trabalho também um lugar onde Espíritos se encontram com vistas ao progresso? Não temos dúvida que sim. Neste contexto, tal ambiente se destaca por ser um local onde passamos grande parte de nosso tempo e nos relacionamos com várias pessoas, cada uma com características distintas, razão pela qual consideramos este espaço como abençoada escola e campo promissor para o cultivo das sementes evangélicas.

Sabemos que há ambientes de trabalho cujas peculiaridades se estendem quase ao infinito, tendo em vista que são inúmeras variáveis que os definem: pessoas, tarefas, equipamentos, funções, cargos, remuneração, hierarquia, etc. Existem tanto aqueles que são extremamente agradáveis e prazerosos, nos quais nos sentimos bem, quanto àqueles outros nos quais ansiamos por sair o mais rápido possível, por se encontrar ali elementos causadores de perturbações diversas.
Abordaremos o que se refere a estes locais menos fáceis. Se trabalhamos em um ambiente que não é bom ou com pessoas com quais não conseguimos nos dar bem, devemos fazer algumas reflexões: Por que estou trabalhando aqui? O que estou fazendo neste lugar? Existe algo que posso fazer para contribuir ou para aprender com estas pessoas? Há um propósito para eu estar aqui? Como a Doutrina Espírita ensina que nada acontece por acaso e que há sempre um motivo justo para tudo, facilmente chegaremos às respostas para tais questionamentos.

Neste cenário devemos aproveitar as oportunidades para adquirir virtudes. Independente do cargo ou função que desempenhamos, sempre há um vasto campo para nos aventurarmos na instigante atividade de aperfeiçoamento íntimo. Se temos um colega de trabalho, superior hierarquicamente ou não, mas que seja de difícil trato, com o qual não temos afinidade e que nos causa profunda antipatia, surge então o ensejo de orarmos por ele, assim como de exercitarmos a paciência, a tolerância e o respeito. São circunstâncias muito favoráveis para o desenvolvimento da fraternidade e do amor ao próximo, no sentido de fazermos ao outro o que gostaríamos que ele nos fizesse. Quanto mais difícil o colega, maior será o nosso mérito em fazer-lhe o bem.
Orientar e esclarecer, ouvir e conversar, oferecer-nos para auxiliar, nos colocar à disposição para o que for preciso, tratar a todos com educação, simpatia e gentileza. Além dessas, há outras pequenas ações capazes de fortalecer o relacionamento entre a equipe e melhorar o ambiente de trabalho. Imagine dois tipos de lugares: um onde há colegas que não se dão bem, pessoas mal-humoradas que não gostam de seu trabalho e totalmente insatisfeitas com a própria vida. No outro há pessoas que, mesmo não tendo fortes laços afetivos, se respeitam e auxiliam-se mutuamente nas tarefas; aprenderam a gostar e a valorizar o que fazem, entendendo a sua importância e de suas atividades para o desenvolvimento da empresa. Em qual deles nos sentiríamos melhor?
Vale ressaltar que a maioria das pessoas não trabalha com o que realmente gosta. Entretanto, é necessário aprender a gostar do que fazemos, pois precisamos do trabalho material para garantir nossa subsistência e de nossos familiares. Portanto, se não temos condições de trabalhar com aquilo que amamos, é preciso amar o que fazemos.

Perceba que, assim como a reencarnação nos situa num lar ou numa família com pessoas compromissadas conosco por diversos motivos, também em nosso ambiente de trabalho estamos cercados por indivíduos com os quais nos ligamos direta ou indiretamente. Da mesma forma que ocorre na família, é possível que existam em nossa esfera de atuação profissional pessoas que, em algum aspecto, dependem de nós. Temos de apurar as percepções a fim de identificar o que podemos fazer para auxiliá-las, bem como o que é possível aprender com elas.

Conseguir aumentos salariais e promoções, progredindo na carreira que escolheu, é lícito, é um direito de todos. Todavia, o espírita deve estar atento para não prejudicar ninguém nesta trajetória. Ele deve se esforçar para vencer no mundo, porém, consoante ao ensinamento do Cristo, seu foco maior deverá ser vencer o mundo, sabendo que os recursos materiais são necessários para se viver no plano físico, mas não passam de meios para se alcançar o objetivo final, muito mais importante: a vitória sobre nós mesmos, sobre nossas imperfeições, localizadas no mundo interior de cada um. Com atitudes baseadas no Evangelho e na moral espírita, seremos capazes de realizar grandes transformações e inspirar outras pessoas a fazerem o mesmo.
Face ao exposto, independente da situação é preciso perceber que no fim sempre saímos ganhando. Mesmo que este ganho não se traduza em recursos pecuniários ou ascensão na carreira profissional, como Espíritos imortais adquirimos maior experiência de vida e desenvolvemos valores e virtudes que se tornarão conquistas inalienáveis capazes de nos impulsionar na caminhada evolutiva.

Valdir Pedrosa – Janeiro/2013

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