A Inquisição a Favor do Espiritismo

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À primeira vista, o título nos remete à ideia de contradição, de conceitos intrinsecamente opostos. No entanto, os Espíritos vêm nos dizer que sim, a Inquisição favoreceu, de certo modo, a divulgação do Espiritismo. Para compreendermos esse ensinamento, precisamos nos reportar aos fatos históricos da época. Em 1861, o Espiritismo já estava em plena ascensão na França, sendo demandado a se expandir a outros países. No mesmo período, em Barcelona, Espanha, o Sr. Maurício Lachâtre, simpatizante da nova doutrina, solicitou a Kardec uma quantidade de livros a fim de propagar o ensino dos Espíritos naquela cidade. Ao receber a solicitação, Kardec prontamente enviou ao Sr. Lachâtre cerca de trezentos livros, contendo as seguintes obras: A Revista Espírita; O Livro dos Espíritos; O Livro dos Médiuns; O que é o Espiritismo, todos de Allan Kardec; A Revista Espiritualista, diretor Piérart; Fragmento de Sonata, ditado por Mozart (Espírito); Carta de um Católico sobre o Espiritismo, Dr. Grand; A História de Joana D’Arc, ditada pelo próprio Espírito à médium Ermance Dufaux e A Realidade dos Espíritos demonstrada pela escrita direta, Barão de Guldenstubbé. No entanto, antes de chegarem ao destino, os livros foram interceptados pelo Santo Ofício, sendo todos queimados, em um auto de fé, no local onde eram executados os criminosos condenados. Kardec tentou reaver os livros antes da destruição final; no entanto, os Espíritos o convenceram do contrário, dizendo que assim era o melhor. Após esse ato repugnante, o número de novos adeptos ao Espiritismo cresceu na Espanha, contrariando todas as expectativas.

Pode-se entender essa “pseudocontradição” pelas próprias palavras de Kardec, quando nos diz:

[...] pode fazer-se que desapareça um homem; mas não se pode fazer que desapareçam as coletividades; podem queimar-se os livros, mas não se podem queimar os Espíritos. Ora, queimassem-se todos os livros e a fonte da doutrina não deixaria de conservar-se inexaurível, pela razão mesma de não estar na Terra, de surgir em todos os lugares e de poderem todos dessedentar-se nela.”(Allan Kardec, O Evangelho Segundo o Espiritismo – Introdução, Item II).”