Vivenciando a Caridade

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Muitas vezes nos perdemos no conceito e na prática da verdadeira caridade segundo Jesus nos ensinou em sua passagem pela terra. Acreditamos, em muitas ocasiões, que estamos sendo caridosos ao comprar uma rifa com fins beneficentes ou quando damos uma moeda ao mendigo que anda pelas ruas. Mas, seriam essas atitudes suficientes para deixar-nos seguros e confiantes de termos auxiliado o nosso próximo? Estaríamos realmente cumprindo nosso dever como cristãos? Quase nunca paramos para refletir sobre essa atitude.

Existe uma grande diferença entre praticar a verdadeira caridade e o ato de doar uma esmola. Quando damos uma esmola estamos repassando o que temos em excesso e não nos fará falta. Doamos muitas vezes para ficarmos livre do pedinte que nos incomoda e raramente pensamos no outro que se sente feliz com a oferta, mas ao mesmo tempo certamente se sente humilhado com a situação.

Quando praticamos a caridade há o envolvimento dos sentimentos mais nobres que possuímos. Sentimos brotar em nós o amor, a humildade, a simplicidade e o desejo sincero de ver o nosso próximo amparado. Não exigimos nada em troca e nem temos a intenção oculta e egoísta de nos tornamos conhecidos pela nossa atitude. Colocamos o amor em todos os nossos gestos e palavras em favor daquele que consideramos mais necessitados que nós.

A Doutrina Espírita nos ensina e nos lembra a todo momento que “Fora da caridade não há salvação” e que ela, a caridade, é a mãe de todas as virtudes.

Na pergunta de nº 886 do Livro dos Espíritos Kardec questiona ao espírito de verdade: “O que Jesus entende como sendo caridade?”  E a resposta foi: - “Benevolência para com todos, indulgência para com as imperfeições alheias, perdão das ofensas”. A benevolência é a complacência, é boa vontade para com todos. A indulgência é a tolerância, a paciência e a misericórdia que devemos ter com nossos semelhantes. E o perdão é a remissão das penas, o esquecimento das dívidas ou ofensas que cobramos de alguém.

Não devemos confundir a caridade com a filantropia que também é uma forma de ajuda ao próximo, porém na filantropia se doa do excedente em prol do desenvolvimento das artes, música, ciências e outras áreas e raramente oferece a oportunidade das experiências e desenvolvimento dos sentimentos humanos.

A caridade pode se fazer presente em todas as relações em que temos com os nossos semelhantes durante a nossa vida: em casa, no trabalho, com os amigos e com os inimigos. Devemos estar sempre atentos às oportunidades que temos de exercitá-la sendo mais atenciosos e mostrando nosso apreço às pessoas que nos cercam. Devemos sempre nos colocar na posição das pessoas que nos procuram com paciência, resignação, humildade e envolvidos com os verdadeiros sentimentos da prática do bem tentando vivenciar o seu sofrimento e sua dor. Conhecendo melhor o nosso próximo vamos perceber que ele nem sempre precisa da ajuda material. Muitas vezes as pessoas que se encontram perdidas buscam em suas vidas um consolo, um amparo, uma palavra amiga para que possam seguir em paz e harmonia.

Nas nossas atitudes devemos amparar os necessitados toda vez que seja possível lembrando dois grandes ensinamentos de Jesus: “... Tu porém, ao dares a esmola, ignore a tua mão esquerda o que faz a tua mão direita, para que tua esmola fique em secreto e teu Pai que vê em secreto, te recompensará.”.  Mateus VI-4. “Faça aos outro o que queres que te façam”, máximas que nos faz refletir sobre o nosso orgulho, vaidade e egoísmo.

Nos engamos algumas vezes ao pensar que poderíamos fazer muito mais pelo nosso semelhante se tivéssemos mais dinheiro mas é apenas uma forma egoísta de pensar. Em realidade estaríamos cuidando primeiramente de nós mesmos e os outros estariam sendo deixados em segundo plano. Erramos quando acreditamos que não podemos auxiliar por não termos condições financeiras. Se não temos dinheiro temos nosso trabalho que pode ser oferecido a alguém ou alguma instituição, temos o nosso tempo a ser dedicado, temos a palavra amiga a ser oferecida, o pensamento positivo emitido e a prece consoladora em favor de alguem. Se ainda assim não conseguirmos levar o nosso auxílio aos que se encontram mais distante ou se não nos consideramos preparados, podemos começar dentro dos nossos lares, junto a nossos familiares. O lar, geralmente é uma grande oficina que nos permite exercitar a caridade e todas as suas virtudes, bastando para isso apenas estarmos munidos da vontade pura de ajudar e desejosos de ter a consciência tranquila colaborando para todos nós tenhamos uma vida mais harmoniosa e feliz.

Herbert Faria – Nov/2012

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