O Espiritismo e as terapias alternativas

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O que é um centro espírita? O que se faz dentro dele? Estas perguntas, que podem parecer sem importância, têm recebido respostas distorcidas ultimamente. Para os bem informados não há a menor dúvida de que o centro espírita é um local onde se reúnem pessoas para o estudo e a prática da Doutrina Espírita, em conformidade com a codificação de Allan Kardec e os ensinamentos dos Espíritos superiores. Até aí, tudo bem.

O problema é que, mesmo dentro de instituições espíritas, existem pessoas ocupando cargos de direção sem a adequada preparação doutrinária e vivência evangélica. Não podemos negar que a maioria está imbuída de boa vontade, mas também é notória a presença de outros que pretendem utilizar a casa espírita para propósitos particulares. São indivíduos vaidosos, com ego de grandes proporções, cultivadores da própria personalidade, que se colocam à frente da casa e da causa espírita, almejando projeção pessoal. Dando vazão ao egoísmo, ao orgulho e à vaidade, querem aparecer, ser o centro das atenções e, para isso, frequentemente utilizam-se dos poderes de que se acham investidos para imporem seus pontos de vista e manias, fazendo um Espiritismo à sua moda e não como nos foi legado por Kardec.

            Seguindo por este caminho, há companheiros, alguns mal intencionados e outros desconhecedores da Doutrina Espírita, que implantam nos centros várias práticas estranhas ou terapias alternativas com o objetivo de aliviar ou até mesmo curar seus frequentadores dos mais diversos males, seja de ordem física, psíquica ou espiritual. Aquilo que, em um primeiro momento, parece ter as melhores intenções, pode gerar graves consequências...

O Espiritismo é uma doutrina cujos ensinamentos, baseados na moral de Jesus, nos auxiliam no processo de cura do Espírito, onde se localiza a gênese de todos os nossos males. A busca pelo conhecimento e a vivência do bem, iluminam a alma, impulsionando-a a patamares evolutivos mais elevados. Embora não seja o objetivo principal do Espiritismo, muitas pessoas afirmam ter encontrado a cura de suas enfermidades físicas nos núcleos espiritistas. Porém, é preciso salientar que a finalidade maior da Doutrina Espírita é a cura do Espírito, não do corpo físico.

A cura física é conseqüência da cura espiritual e nem sempre a solução dos males físicos é alcançada nesta encarnação. O corpo físico é transitório e, através do fenômeno da morte, volta ao pó. Já a alma, ou o Espírito, é imortal e retorna ao mundo material quantas vezes forem necessárias para realizar sua depuração, conforme reza a lei da reencarnação e da evolução, progredindo sempre.

            Para atingirmos esse fim, o Espiritismo nos oferece o conhecimento e o estudo de seus princípios fundamentais; o cultivo da fé raciocinada, da prece, do pensamento elevado, da conversa e da leitura edificantes; o trabalho, que é toda ocupação útil, objetivando o crescimento moral e espiritual do próximo e de nós mesmos; a terapia auxiliar dos passes e da água fluidificada, bem como o intercâmbio mediúnico, onde aprendemos com os Espíritos mais elevados e auxiliamos aqueles em situações menos fáceis no Além.

Com todos estes recursos e resgatando a proposta de educação espiritual do Cristo, a Doutrina Espírita nos convida à prática do amor para com todos, como único caminho seguro a ser trilhado em nossa jornada evolutiva. O conhecimento de nós mesmos é o primeiro passo neste processo contínuo de aperfeiçoamento que chamamos de reforma íntima ou renovação moral.

À medida que nos compenetramos destas verdades e assumimos nossas responsabilidades como Espíritos imortais que somos, vamos nos curando de mazelas, vícios e imperfeições que se acumulam em nosso psiquismo há muitas reencarnações. Mas este é um processo que não é rápido, desenvolve-se a médio e longo prazo, pois contra a gota de boa vontade do presente, temos um oceano de cristalizações de nosso passado. É necessária muita perseverança, paciência e oração para resgatar o homem velho e transformá-lo no homem renovado pelo Evangelho. Eis aí o trabalho de cura do Espírito!

            Contudo, algumas instituições que se autodenominam “espíritas” têm adotado práticas sem nenhum embasamento doutrinário. Trata-se de terapias alternativas, todas dignas de nosso maior respeito e não obstante algumas apresentarem bons resultados, não são espíritas. Não devemos misturar as coisas e comprometer a pureza doutrinária do Espiritismo.

            Por que isso ocorre? Entendemos que os motivos principais seriam a ignorância, no sentido da falta de conhecimento dos princípios que regem a Doutrina; imediatismo na busca da cura do corpo físico; personalismo e vaidade, ao querer impor à casa espírita práticas estranhas e opiniões pessoais; e não podemos nos esquecer das ações sutis de entidades trevosas que se aproveitam da fragilidade ou da má fé de confrades invigilantes que lhes servem como verdadeiras marionetes.

            É bom ficarmos atentos, pois reiki, cromoterapia, apometria, astrologia, tarô, mandalas, pirâmides, velas, cristais, florais, terapias de vidas passadas e tantos outros modismos que têm aparecido ultimamente, não são práticas espíritas e, portanto, não devem ser adotadas no âmbito de casas que se dizem espiritistas. Tais núcleos podem se denominar espiritualistas, mas não espíritas.

Um centro espírita bem orientado é aquele que segue as diretrizes propostas por Allan Kardec e pelos Espíritos superiores, visando a renovação moral da humanidade. Paramentos, rituais e terapias alternativas têm o seu valor em ambientes que lhes são próprios, mas não dentro de um centro espírita. É uma questão de bom senso: cada um no lugar que lhe compete. As pessoas que desejam implantar tais inovações no movimento espírita, deveriam se preocupar primeiro com sua própria renovação moral e espiritual, como preceitua a Doutrina.

            Deixemos as casas espíritas cumprirem seus objetivos no que tange ao estudo do Espiritismo e do Evangelho de Jesus, além do intercâmbio com os amigos espirituais. Tais núcleos são centros de convivência e vivência do bem, onde aprendemos a importância de praticar a caridade e a fraternidade de forma incondicional. É onde encontramos os recursos que nos permitirão operar a reforma interior.

            Casa espírita, enfim, é oficina de trabalho, escola e hospital de almas, não é lugar para enxertos e modismos.

 

Valdir Pedrosa – Junho/2012

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