As Penas Eternas

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“Pois aquilo que o homem semear, isso também ceifará.”
Paulo (gálatas, 6:7)

Temos o pensamento errôneo de que somente depois da nossa morte, o desencarne, é que iremos prestar contas das nossas atitudes perante o julgamento divino. Acreditamos que, se agirmos dentro das leis, se formos boas pessoas, vamos receber  a recompensa do amparo divino, o conforto e a paz celestial. Se não cumprirmos as leis, se não agirmos corretamente durante nossa existência aqui na Terra, seremos condenados ao sofrimento, a grandes tormentos  e lamentações.

É o antigo conceito da condenação ao sofrimento eterno, imagem construída há séculos pelo próprio homem em função de seus interesses e que permanece até hoje viva em nossa mente.

Esse pensamento, porém, fere o bom senso e o nosso entendimento, pois contraria o conceito que temos de Deus, Pai misericordioso, todo bondade e justiça. Ele jamais nos condenaria ao sofrimento pela eternidade e muito menos permitiria que fôssemos lançados ao fogo eterno em reparação a alguma falta cometida.

No Livro dos Espíritos, questão 1009, Kardec questiona: “Assim, as penas impostas jamais o são por toda a eternidade?” Ao que Santo Agostinho responde de maneira clara: “Interrogai o vosso bom senso, a vossa razão e perguntai-lhe se uma condenação perpétua, motivada por alguns momentos de erro, não seria a negação da bondade de Deus. Que é, com efeito, a duração da vida, ainda quando de cem anos, em face da eternidade?”.

O nosso livre-arbítrio é quem traça, passo a passo, o nosso destino, alternando entre a harmonia e os momentos de felicidade ou a tristeza e o sofrimento constante, de acordo com a maneira como marcamos a nossa caminhada no planeta.

A doutrina Espírita nos ensina que, diante de um fato, impõe-se o conhecimento de uma causa, a Lei de Causa e Efeito. Devemos refletir sobre essa causa, esse efeito, essa dor, e assim direcionar a nossa caminhada na Terra.  Kardec nos esclarece, quando fala sobre o atual estágio da humanidade, quando diz que vivemos num mundo de provações e expiações, um mundo onde o mal ainda prevalece sobre o bem. Isso nos predispõe a pensar em nossa renovação de atitudes, ou seja, a nossa reforma íntima. Lembremos o apóstolo Paulo na sua carta aos Coríntios onde ele diz: “Todas as coisas me são lícitas, mas nem tudo me convêm.”!

O mundo nos oferece a todo momento as mais diversas oportunidades de escola. Recebemos todo tipo de informação, oportunidades e influências. Compete a cada um de nós selecionar o que é de nosso interesse, o que nos faz crescer e o que contribui para a nossa evolução. Só seremos pessoas melhores e mais felizes a partir do momento eu que reconhecermos que somos nós os verdadeiros responsáveis pelas nossas atitudes e os reais causadores das nossas dores e sofrimentos.

Herbert Oliveira de Faria
Julho/2012

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