O legado de Kardec

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Há quase 160 anos, um emérito professor francês chamado Hippolyte Léon Denizard Rivail, então com seus 50 anos de idade, teve a atenção chamada para insólitos fenômenos ditos sobrenaturais, que se produziam por toda a Europa, desde as residências mais simples até os grandes salões de Paris. Sob o toque de pessoas dotadas de uma sensibilidade especial, mesas giravam, dançavam e respondiam perguntas fúteis. Algum tempo depois, os agentes dos fenômenos se identificaram como sendo espíritos ou almas de pessoas que já haviam vivido na Terra e que agora retornavam para demonstrar a realidade da dimensão espiritual e a possibilidade de intercâmbio.

Depois de reiterados pedidos de seus amigos, o professor Rivail, homem de ciência que não se deixava levar por quimeras, resolveu investigar o fenômeno, se aprofundando tanto em suas causas como nas consequências. Ao publicar o resultado de seu trabalho, adotou o pseudônimo de Allan Kardec, nome que ostentou em uma vida passada, na região das Gálias, e pelo qual passou a ser reconhecido, respeitado e admirado por muitos. Sua principal obra, O Livro dos Espíritos, fez história e assinalou definitivamente o início da era de regeneração da humanidade. Representava não apenas o início dos trabalhos de codificação da doutrina nascente, mas, sobretudo, era a materialização do Consolador que Jesus prometera ao mundo há mais de 2 mil anos.

O que veio depois está para sempre registrado nos anais da história do nosso planeta. O trabalho coordenado pelo Espírito da Verdade, tendo Jesus como o grande inspirador, se espalhou rapidamente como uma grande e robusta árvore a oferecer frutos de consolação, esperança, paz e amor a todos aqueles que buscam suas frondes abundantes.

Não dispomos de meios capazes de mensurar o bem que o Espiritismo já fez à humanidade, nem o que ainda fará. Todavia, basta analisarmos alguns de seus princípios para comprovarmos sua excelência. Quantas pessoas já desistiram do suicídio após terem contato com um livro ou depois de assistirem uma palestra espírita? Quantos abortos o esclarecimento proporcionado pela Doutrina evitou? Quantos ódios e desejos de vingança foram aplacados? A caridade espírita já beneficiou quantas pessoas? Qual a quantidade de indivíduos que já encontraram no Espiritismo a cura para seus males físicos e espirituais?

Mesmo se tivéssemos esses números, eles seriam apenas números frios, que nos dariam uma pálida noção do bem que a Doutrina codificada por Kardec é capaz de fazer. Mas, não seriam capazes de aferir  a quantidade de pessoas que foram, de fato, transformadas moralmente pelos seus ensinamentos.

Por tudo isso, entendemos que a grande contribuição do Espiritismo aos homens é seu propósito de reviver o Evangelho de Jesus, fornecendo instrumentos e condições para que cada um possa se conhecer, trazendo de volta a proposta de Sócrates do conheça-te a ti mesmo como sendo o meio prático mais eficaz que o homem tem de se melhorar e resistir aos arrastamentos do mal. [1]

Voltando à figura imponente de Allan Kardec, podemos dizer que apenas um espírito profundamente vinculado a Jesus teria condições de desempenhar tão grandiosa missão. Abalar as estruturas do dogmatismo religioso, do ceticismo da ciência e ainda arrasar as concepções niilistas do materialismo não é para qualquer um. Muitos seriam esmagados pelos poderes do mundo, mas não alguém como Allan Kardec, o apóstolo responsável por codificar as lições dos espíritos superiores e interpretar os ensinamentos do Grande Mestre. Espírito cujo timbre foi talhado em muitas reencarnações, apresentou-se perante o Cristo para o trabalho que lhe exigiria extrema renúncia e total abnegação. Estava preparado. Foi chamado para servir na seara do Mestre e, por méritos próprios, se colocou na condição de ser o escolhido. E não decepcionou. Oxalá sejamos dignos de seu legado!

Valdir Pedrosa - Fevereiro/2012

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