Onde está escrita a Lei de Deus? -Resposta: na consciência

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Em princípio, esta resposta não faz sentido quando observamos a trajetória marcada pela violência que a evolução humana grafou nas páginas da sua história. O bramido das guerras e o gemido dos pobres, que sofrem sob o tacão das elites, denotam o aparente despropósito desta resposta, que, oferecida pelos espíritos, ainda não despertou a devida atenção dos estudiosos da Doutrina.
De que nos tem servido a providência dessa Lei, - nas consciências - se não impede que o mal se propague e se torne, sempre, tão perturbador?
Tentando explicar tal resposta, supõem alguns que esta Lei ainda tornar-se-á conhecida e atuante quando houver o despertar da consciência humana, em consonância com a vontade do Eterno Pai que então nos conduzirá por um caminho de glória e beleza sem precedentes, em contínua evolução até as paragens celestiais.
Ainda aqui se percebe que a Lei em nada contribui para amainar as paixões e vícios humanos, pois somente quando seu espírito se santificar poderá ela ser ouvida e acatada. Enquanto isso não acontece, o crime campeia solto e sedutor.
Um estudo mais atento das obras espíritas nos mostrará que essa Lei de Deus a que se refere a questão 621 do “Livro dos Espíritos”, não é um conjunto de preceitos morais com o objetivo de conduzir o homem, da violenta selvageria à harmonia da civilização. Na verdade, a Lei, a se expressar através de mecanismos automatizados e justos, que pune os criminosos e educa os ignorantes, está inscrita de forma indelével nas estruturas sutis do perispírito, as quais registram minuciosamente todos os desvios conscientes da criatura em relação à sentença lapidar de Jesus: ” amarás o teu próximo como a ti mesmo”.
Assim, desde que os profetas da antiguidade e os filósofos humanistas abraçaram a tarefa de ensinar aos homens o caminho da justiça e do respeito ao semelhante, a Divina Lei passa a vigorar na intimidade de cada qual. Na obra “Nosso Lar”, o instrutor espiritual André Luiz comenta que muitas criaturas, mesmo gozando de um corpo físico perfeito, ao desencarnarem alcançam o mundo espiritual com graves lesões ou mutilações, como sejam, as cavidades orbitais vazias, ou ainda, sem as pernas ou os braços.
A prática consciente do mal tem ação demarcada em determinados centros de força responsáveis pela manutenção e a funcionalidade daqueles órgãos ou membros. Ora, vemos claramente a atuação de mecanismos que impõem automaticamente a pena ao malfeitor, independente de qualquer julgamento pelos tribunais do plano astral. No momento do ato criminoso, os ditames da Lei impressionam fortemente as delicadas estruturas conscienciais, imprimindo ali vibrações em desequilíbrio, que demandam o corretivo específico, em função do centro de força lesionado, sendo que este corretivo poderá ocorrer desde a presente encarnação ou nas que se seguirão.
Concluindo, diríamos que a Lei de Deus está, de fato, escrita na consciência, pois ali se encontram os artigos acusadores da Lei, como também os mecanismos da Justiça, os quais estarão acordes com as palavras de Jesus: “e daí não sairás até que tenhas pago o último ceitil”.  

José Arthur de Oliveira

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