Trabalhando a nossa Fé

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“Homem de pouca fé, por que duvidaste”?
(Mt 14:31)

Os grandes dicionários nos ensinam que a palavra fé é “um conjunto de dogmas e doutrinas que constituem um culto”. Ela é definida também como “convicção e crença firme e incondicional, alheia a argumentos da razão”.
A Doutrina Espírita nos traz um conceito diferente e inovador da fé, muitas vezes confundida com a simples crença cega, que se manifesta pela aceitação pura de rituais, dogmas e seitas que nos são colocados e não apresentam a necessidade de comprovação e reflexão.
No “Evangelho Segundo o Espiritismo”, Allan Kardec nos apresenta a fé raciocinada que, sem imposição de limites, permite ao homem fazer uso do seu livre arbítrio, refletindo e questionando naturalmente, sem que este perca a individualidade e autenticidade. A fé é apresentada como a segurança, certeza e confiança que o ser humano adquire ao longo de suas mais diversas experiências. Por esse conceito fica fácil entendermos Kardec quando diz: "a fé não pode ser prescrita ou imposta por aquele que a tem, ninguém a poderá tirar e àquele que não a tem ninguém poderá dar".
Ter fé é reconhecer em nosso íntimo algo que é muito maior que nós e que é responsável por tudo a nossa volta, inclusive por nós mesmos. É reconhecer-se criatura, acreditar e confiar no Criador. Na maioria das vezes, no entanto, nos deixamos levar por tendências radicais e extremistas e acreditamos que a nossa fé é estável.  Acreditamos que: ou temos fé ou não a temos. Não exercitamos a nossa razão e não percebemos que ela pode ser desenvolvida ou até mesmo aumentada, por meio de alguns procedimentos que muito irão nos fortalecer moral e espiritualmente.
A oração é a maneira que temos de nos comunicar com a espiritualidade superior e, consequentemente, com Deus. Ela nos revitaliza, energiza e nos aproxima de espíritos mais esclarecidos, afastando-nos das influências negativistas. É importante que estejamos sempre com pensamentos elevados e em prece nos bons e maus momentos, para facilitarmos o intercâmbio com a espiritualidade maior.
Outro fator que nos auxilia no desenvolvimento da nossa fé é o estudo.  Além do exercício mental, é importante estarmos sempre em busca de obras esclarecedoras, aprimorando cada vez mais o conhecimento e entendimento. O estudo nos faz compreender com clareza os problemas e nos direciona para as soluções, além de permitir que compreendamos melhor os ensinamentos de Cristo e os mecanismos muitas vezes complexos da nossa vida.
O exercício da paciência e da humildade é fundamental.  A paciência nos fornece o tempo e a condição para refletir sobre nossos atos e atitudes, favorecendo nosso entendimento. A humildade permite que reconheçamos as nossas fraquezas e as necessidades do próximo.
Não podemos deixar de lembrar uma passagem narrada por Mateus no Capítulo 14, Versículo 31, referente ao momento em que Jesus caminha sobre a água. O fato se passa com o discípulo Pedro, que sai de barco para chegar à outra margem. Nesse momento, começa uma grande tempestade e quase afunda o barco. Pedro fica aflito e grita: “Senhor, salva-me”. Jesus, que retornava de suas orações corre ao socorro de Pedro e vai caminhando sobre a água até o barco. Chegando perto, diz: “Vem!”. Ele, abismado, começa a retornar em segurança, também caminhando sobre a água. O vento fica cada vez mais forte. Pedro sente muito medo e começa a afundar. Jesus então estende a mão e diz a Pedro: “Homem de pouca fé, por que duvidaste?”
Enquanto Pedro confiou e teve fé, ele se manteve sobre a água. Quando Pedro grita “Senhor”, ele reconhece a supremacia de Jesus, a superioridade do mestre que tem o poder de andar sobre a água. Quando ele diz: “Salva-me”, Pedro enxerga a sua fraqueza e reconhece que está diante daquele que está disposto a fazer a caridade e socorrer a todos que lhe pedem auxílio.
Quando Jesus pergunta a Pedro “Por que duvidaste?”, ele nos dá ainda uma grande lição. Ele está nos ensinando que não devemos manter a fé somente nos momentos tranquilos ou nos bons momentos. Devemos ter fé também nos momentos de tempestade e de turbulência.
Quantas e quantas vezes nos portamos como Pedro?  Quantas vezes nossa embarcação está quase virando no mar e nos sentimos perdidos, desamparados e nos esquecemos completamente da nossa fé e confiança?
Tenhamos sempre em mente que em todos os momentos e situações estamos amparados pelo mestre Jesus, a nos orientar nesse imenso oceano. Temos as diretrizes, a bússola e o caminho. Somos nós que guiamos o nosso barco. Nós escolhemos o destino. Cabe somente a cada um de nós escolher como alcançar nosso objetivo.

Herbert Faria
Março/2012

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